„A mulher brasileira existe, mas não para satisfazê-los“ Wie das Bild der brasilianischen Frau die Idee von „verfügbaren Körpern“ stützt

Impressões sobre a mulher brasileira

„A mulher brasileira existe, mas não para satisfazê-los“. Como a imagem propagada para o mundo contribui para a ideia equivocada de que somos apenas corpos disponíveis

Por Aline Valek, via Escritório Feminista

Jan_simon_Hutta_veldensteinerFoto: Jan Simon Hutta

[…] A “beleza” e “sensualidade” da mulher brasileira são vendidas como um atrativo, quase como um patrimônio nacional, tirando o fato de que estamos falando de pessoas, e não de cachoeiras ou conjuntos arquitetônicos. Enquanto isso pode ser visto por muitos com orgulho, mais um quesito para sermos “melhores” do que os outros, acho preocupante e até perigoso que sejamos retratadas para o resto do mundo desta forma […]

Veja bem: o problema não é a vinda de estrangeiros. Os turistas que assediaram minha amiga não fizeram nada muito diferente do que os homens brasileiros já fazem todo dia, com Copa ou sem Copa. A nossa existência ser resumida às nossas bundas, coxas e seios também não foi invenção de seja lá quem dirigiu o clipe da Copa […]

Porque é claro que se mulheres marcam presença nos estádios é para agradar o olhar masculino. Isso fica ainda mais evidente no jornalismo punheteiro que elege as “musas” da torcida, reforçando que a existência da mulher só serve ao propósito de embelezar o ambiente que ela frequenta, no caso, a arquibancada.
Seria uma grande sorte se fôssemos vistas e tratadas assim apenas durante a Copa. Daria até pra comemorar. O negócio é que não: esse tratamento nos é dispensado cotidianamente, para onde quer que a gente olhe, onde quer que a gente vá, não importa o que a gente faça.
O mais trágico é que, apesar da imagem hiperssexualizada da mulher brasileira, não somos apenas nós que sofremos com essa constante desumanização. Não é como se estrangeiros só assediassem mulheres quando viessem ao Brasil. Mulheres de todo o mundo também passam por isso, em maior ou menor grau, dependendo de onde são.
Mas, de volta ao Brasil: quando saímos na rua, alguns homens acreditam que estamos ocupando aquele espaço público para obter a aprovação de seu olhar. E não são poucos. No mapa da campanha Chega de Fiu Fiu, os depoimentos deixados por mulheres dão uma ideia de como é comum e perigoso esse pensamento de que se estamos andando sozinhas na rua é porque estamos à disposição. Pergunte a qualquer mulher: essa invasão dos nossos corpos e espaços são rotina para praticamente todas nós.
“Ah, cantada é inocente, elogio não tira pedaço”. Isso não poderia ser mais falso. Primeiro, porque é sim uma violência e é ainda mais cruel tentar esvaziar ou minimizar o constrangimento, o medo, a raiva e até a culpa que sentimos quando passamos por isso.
E é como se a vontade do homem de “elogiar” valesse mais do que a nossa tranquilidade, nossa autonomia e o nosso direito de usar o espaço público sem sermos intimidadas ou perturbadas. Ou seja, de novo, nossa existência sempre em segundo plano em relação aos desejos dos homens. Depois, porque esse tipo de assédio é uma manifestação da ideia de que somos corpos disponíveis – e isso é munição que valida violências ainda mais extremas contra nós […]

É contra esse tsunami de estereótipos que constroem sobre nós e que propagam de todas as formas, em todos os meios, e contra as agressões decorrentes dessas ideias, que temos que lutar diariamente. Temos que afirmar e reafirmar nossa existência como seres humanos diversos, complexos e autônomos. E se escrevemos ou falamos sobre isso, também geramos indignação: afinal, como pode uma mulher existir para escrever algo que não agrade os homens, algo que os faz sentir desconfortáveis por pensarem ou agirem de determinada forma?
Só digo que é melhor se acostumarem a isso. Existimos, sim. E toda vez que tentarem nos negar nossa autonomia como seres humanos, nossas vontades próprias e nosso protagonismo em nossas histórias, vamos fazer mais barulho do que uma arquibancada inteira de torcedores.

ler tudo: pragmatismopolitico.com.br

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